sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Pequenos apocalipses

Sentimentos são grandes acontecimentos dentro da gente. Eles causam pequenos apocalipses. Eu queria entender porque as pessoas se sentem tão sozinhas. Porque elas acham que precisam de alguém pra completar alguma coisa. Nascemos 100% e ainda assim tem gente que não sabe viver sem transbordar. Eu realmente queria entender. Você deve pensar que eu faço isso porque agora estou com alguém. E é alguém legal, tenho que confessar, mas eu já estava bem antes dele. Aprender a ser feliz com a própria companhia te faz melhor pra aceitar as outras pessoas que passam pela sua vida. E esse, tudo bem que eu não podia deixar escapar. Por diversos fatores, mas isso é assunto para outra conversa, outra noite, outra mesa de outro bar. Quem sabe… A gente não precisa de ninguém, a gente fica bem só. Mas toma o querer de um carinho, de um chamego, como necessidade para a vida. Só que a gente quer escolher quem vai oferecer esse carinho, quer escolher quem vai fazer a gente feliz. E a felicidade não dá pra ser escolhida. Ela é sorrateira e supersticiosa. E vem quando a gente merece mas nem se dá conta disso. Então não fica assim. Ou fica. Mas fica agora. Não para sempre. Aproveite os outros momentos. Porque a gente tem muito mais na vida do que ficar esperando alguém (que a gente queira) querer a gente.




Dani Black - Não não não

domingo, 3 de janeiro de 2016

Depois do não

Foram tantos “nãos”. Eu não saberia contar.
Muito menos dizer o motivo que eles tiveram para sair, livremente, da minha boca em direção aos seus ouvidos.
E não há desculpas.
Nem perguntas mais importantes que isso agora.
Apenas tempo.
Apenas chances.
Ou castigo, troco, vingança.
Mas se você ainda quiser alguma resposta minha, já adianto que é “sim”.



Dave Matthews Band - Crash into me

2016

O ano é novo, mas a história é mais antiga que guaraná com rolha.
Um reumatismo global. Um janeiro de ressaca moral e histórias vergonhosas.
Depois do brinde o mundo se enche de sábios!
Todo mundo acha que sabe a solução para o problema do outro.
E se todo mundo guardasse dinheiro como guardam os sentimentos com medo de ficarem sós, nem existiria a classe D, a miséria, os mendigos. Se as pessoas realmente quisessem saber as coisas, se a incerteza realmente incomodasse, elas perguntariam. Mas as pessoas não querem saber, elas tem medo de respostas, especialmente àquelas que levam a perdas de algo que não se tem.
Já pensou se as pessoas aproveitassem o tempo que tem só com as coisas boas ao invés de usá-lo para tirar satisfações ou buscar verdades que não querem ouvir?
Por isso eu desejo um pensamento novo nesse ano que acabou de nascer e já está velho de tanta reclamação que ouviu.
Aliás, guaraná teve rolha mesmo algum dia?

 

Para não pensar em você

Hoje ouvi a chuva cair lá fora
Rascunhei ideias descomprometidas.
Li 6 capítulos de um livro.
Assisti um filme que durou 3 horas.
Chorei, incansavelmente. Porque meus olhos assim quiseram.
Fiz até mousse de limão. Comi 2 vezes.
De repente me ocorreu se você gosta ou não, porque nunca perguntei.

Não segui uma lista. Mas se tivesse seguido, te abraçar estaria lá no finalzinho, para não ter nada depois disso, nunca mais... só um post scriptum, bem sublinhado em vermelho, reforçando que esse ultimo desejo exigiria manutenção contínua. E enquanto as versões não consolidadas de nós e as situações imaginárias tomam conta de mim, eu não sei onde você está, o que você quer, nem quem você é.

García Marquez diz: "...para mim bastaria estar certo de que eu e você existimos nesse momento." E concordo. Mas se quiser me mostrar, estou aqui, de peito aberto.

John Mayer - Stop this train (live)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Heartless

Ela costuma tomar qualquer sumiço como rejeição. Talvez pela frequência com que os dois costumam acontecer. E nunca sabe se foi verdade ou paranoia. Talvez porque se sinta sempre menos, não merecedora do que quer. Ou talvez porque os outros digam que ela deve largar mão do que quer, por falta de respostas, interesses, reciprocidade. Ouviu a vida toda que suas paixões impossíveis eram, na verdade, uma fuga conformada para evitar a dor. Como se lidar com a rejeição fosse mais fácil do que aceitar um final feliz. Disseram que era coisa de signo, chamar a atenção de todos, quando a atenção de um só já fazia seu mundo virar de cabeça para baixo e deixar as pernas bambas. O horóscopo também diz se ele vai retribuir?

The Fray -  Heartless

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Eu só gosto de você



Eu queria escrever o melhor texto, fazer a melhor declaração e correr para te dar o melhor abraço. Mesmo não tendo certeza de que você iria querer me abraçar.

Queria te deixar emocionado e te conquistar, assim como você me conquistou. Apesar de todas as desculpas que arrumei para isso tudo não acontecer. Apenas pelo simples fato de não ter ideia de como seria bom gostar de você.

Felizmente, me enganei.

Abandonei as entrelinhas, as rimas, a vergonha e o medo. Porque uma hora a gente precisa ceder, sem olhar o tanto que falta para a corda arrebentar. Sem nem mesmo segurar na corda. Mergulhar de cabeça não dói, no máximo vai molhar. E como a cura para todas as coisas é a água…. seja lágrima, suor ou chuva….

A gente vai escutar o que uma mulher deve ou não fazer para segurar alguém, ou como deve se comportar. Mas o melhor conselho que ouvi desde que nasci é que não devemos passar vontade. E nesse momento a minha vontade é de deixar você saber que eu gosto muito de você. E se você me sorrir de volta, vou te encher de beijos. Sem entrelinhas, sem rimas e sem medo.



 Biquini Cavadão - Quando eu te encontrar

É só uma lembrancinha

Lembrança: s.f. Recordação; aquilo que está guardado na memória; o que recorda uma experiência já vivida; o que expressa uma situação já passada.

Lembrancinha: substantivo feminino no diminutivo. Palavra usada para expressar que o remetente pretende gastar pouco com o destinatário e dizer que lembrou-se dele.

É final de ano e todos procuram presentes que lembrem o passado. Ou que possam transmitir a mensagem de que quem recebe foi lembrado, automaticamente. Embrulhos com objetos de baixo custo, mas sem pensar no alto valor que eles podem realmente ter.
Por isso há o janeiro das trocas, logo após os sorrisos amarelos e agradecimentos robotizados. Até alguém perceber que lembrança não se troca. Lembrança não se dá. Elas acontecem e fazem a gente rir, hoje, amanhã ou mil anos depois.
E poucos sabem, lamentavelmente que, um sorriso é uma lembrança feliz. E nem precisa de um laço. Mas isso é só uma lembrancinha.