terça-feira, 18 de abril de 2017

Nem tudo é: aquele amor lá

Nem tudo é amor, sabe?
Ás vezes um dia nublado te faz mais feliz que isso. Ou um chá. Ou nada disso.
A gente tem uma ilusão de que o amor nos basta.
Não aquele amor "não conta pra mãe".
Ou aquele amor no cozido que a vó fazia. No bolo pudim, no macarrão com atum.
É aquele amor que a gente acha que precisa. Que a gente busca a vida toda e poucos conseguem explicar, qualificar e quantificar. Aquele entre duas pessoas e um sonho, debaixo de um edredon com chocolate (pra ele), doce de leite (pra mim) cafuné e senha da netflix. Aquele lindo e cheio de expectativas. Aquele que às vezes nem é amor ainda, porque a gente nunca sabe. Mas é mais fácil dizer um automático eu te amo do que tentar entender como é que eu gosto pra caraleo de você, mas não tenho palavras, só quero te abraçar e pronto.
E então uma tristeza. Intensa. Sua.
A gente acha que só porque tá sentindo coisa boa, não pode sentir coisa ruim. Acha que o amor vai curar tudo, vai te deixar rica, feliz, com a pele boa, com o cabelo hidratado, vai te emagrecer...
Nem tudo é amor, lembra?
A gente não pode depositar todos os sonhos em uma pessoa e chamar de amor. É muita irresponsabilidade nossa jogar esse peso para alguém. Jogar essa culpa, essa história. Sendo que ainda tem vida, ainda tem família, ainda tem trabalho, ainda tem promoção de shampoo + condicionador, tem boleto, crise dos trinta, orquestra no domingo, bolinha de queijo nos aniversários.
O amor não vence tudo isso. Até porque não é uma luta.
Não queira que ele seja salvação. Não jogue sua insatisfação pessoal no outro. Talvez o amor seja só um toque pra você não passar no sinal vermelho.
Deixe o seu amor ser só o cafuné com netflix mesmo. Ele vai te fazer bem.

domingo, 9 de abril de 2017

De conchinha

Não quero ser mãe.
E não preciso de motivo pra isso.
Quem precisa são os outros.
Que parece que não têm outro compromisso.

Se a sua ideia é diferente
Sua vontade impertinente
Ou sua necessidade latente

Você está errada
Certo é ser manipulada
E não se deixar ser amada

Mas nossa, isso é pecado!
Com tanta gente na tentativa
Tomando iniciativa
E você com tanto amor enlatado

Sabe, não é não
Nem é falta de um coração
É que cansei de inventar desculpas.
E de chorar tanto pela pressão.
Se você está solteira
Precisa de alguém pra pedir sua mão
Se está casada, é filho, é neto, é bicho
Nada é suficiente então

Na verdade, sociedade
A gente não precisa de nada
Só de respeito durante a caminhada

E dá pra amar os sobrinhos,
e todas as crianças do mundo
O que não dá é para aguentar os adultos
com aquela choradeira ao fundo

E é tanta cobrança de maternidade
e use sempre camisinha
A gente não sabe se segue a publicidade
Ou se dorme de conchinha

(contém ironia, tá?)
Resposta para os comentários "você vai mudar de ideia"
> não mudamos todos os dias?

Um beijo

"Como pode né? Um beijo são só dois pedaços de pele se encostando e duas línguas se mexendo. Mas se esse beijo soubesse o estrago bom que tá fazendo aqui dentro... "

E ele só sorriu e me beijou.

Ele não sabia o que falar. Porque ele não é muito de falar mesmo.
E como eu falo demais...

É assim que é um sentimento de verdade, acho.
Já escrevi muito sobre as sensações de um começo e de um fim. E esse desenrolar, esse meio, esse recheio, esse nós, traz uma nostalgia boa do pertencer à um par.

Gostar da pessoa "pela boca que ela tem" é uma coisa tão fria. Nem parece sentimento.
Mas um "gosto daquele jeito que ele sorri quando me olha, na hora que chega, num dia que a gente nem sabia que ia se ver" arrepia. Misturado com aquele cabelo bagunçado e tudo o que a gente não combina, mas ri junto.... Caramba, isso é bom demais! Então a gente não pode aceitar um beijo que seja apenas dois pedaços de pele se encostando.

Desabafo de uma não vegetariana

Eu nunca gostei de carne. Menos ainda de churrasco (mas isso fica pra outro post).
Nesses meus 30 anos, dificilmente eu dei trabalho sobre isso.
Eu como às vezes, pouca, na casa dos outros, pra não dar trabalho, pra abstrair os comentários.

Nunca fui vegetariana mesmo.

Não sei se dói deixar de comer alguma coisa que você gosta para defender uma causa.
Não tenho problemas com animais mortos, morais ou fisiológicos por causa disso.
Só com gente mesmo.
A vida inteira ouvi gente falando que não gosta de berinjela.
E isso é considerado normal. Berinjela é para não ser gostada.

É a mesma coisa com o álcool. Eu bebo. Mas tem dias que não quero.
Ai que absurdo! Bebe pra ficar mais legal - dizem.
E tem gente que não gosta de cerveja. Ou vinho. Ou refrigerante.
Existe água, sabem? Dificilmente alguém vai recusar um copo de água.

Eu tô é me fudendo para o que cada um gosta.

É triste ver que no ambiente impessoal do bandejão você é mais compreendido. Você pega o que quer, pesa, paga e ninguém fica te perguntando o motivo de você não ter pego mais um bifinho ou torcendo o nariz para o seu jiló. Estava tudo lá, como uma vitrine democrática, onde você aprecia sua refeição sem sair julgado. Até porque faz mal comer chateada.

Eu não faço estupro culinário com ninguém. Eu não enfio minha proteína de soja em você até você gostar. Eu ofereço porque sou educada e te deixo escolher. O que tem em casa é isso, se preferir outra coisa, a gente se vira, providencia, compra um pastel de queijo, porque queijo quase todo mundo gosta. Ou não.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

2016: o ano par que foi um ímpar

Ele ficou engasgado na garganta de tanta gente.
Foi colocado no banquinho dos réus sem direito de defesa.
Por ter sido um ano de relacionamento abusivo governo-povo: Acho que a gente não acreditava que podia piorar. E a política foi lá e "challenge accepted".
Por ter sido um ano de desequilíbrio universal na indústria do entretenimento: Mas a gente não pode fazer nada se aquela geração de artistas já estava na estrada há muito tempo. E se nós estamos mais velhos, imagine eles.
Mas isso porque a mente humana tende a se apegar às tragédias.
E, a não ser que vocês estejam mentindo nas redes sociais.... esse também foi um ano em que vi muitas grávidas felizes, muitos pares sendo formados, muitos amores encontrados, muitas famílias unidas, muita gente que perdeu alguém e tá levando a vida ao invés de se deixar cair, muitas viagens (meodeos, como vocês estão passeando! Que bom!), muitos novos looks, muita gente aprendendo a cozinhar, muito diy (usar as mãos para fazer arte é terapêutico e satisfatório)... Parabéns e agradeçam. Coisas boas permanecem quando a gente agradece.