quarta-feira, 16 de julho de 2014

E por que não?

Por que não eu? Ou então, por que eu não?
Se é padrão, deve ter explicação. Ser pouco, ser muito, ou não ser. Não merecer.
Ou achar que não merece. Essas coisas a gente não esquece. A dúvida nem sempre é um benefício. E as promessas podem ser artifícios. Pois então, deixe-me um sorriso. Ou algo que faça parecer que um dia quis ficar. Algum dia, algum momento. Quem sabe, um para sempre. Quem sabe pra voltar, ou só para lembrar.
Quer saber, deixe-me.
Apenas por deixar.


terça-feira, 15 de julho de 2014

Elogio

É só um beijo, não é uma bomba.
Mandei porque deu saudade, vontade de me explodir em você.
E porque eu quis.

Quem vai receber os meus recados, se estiverem guardados?
Por isso, os deixo espalhados.
Já que entrelinhas nunca ajudaram em nada.
Nem na parada, nem na caminhada.

E o que você vai fazer sobre isso?
O que se faz quando uma pessoa gosta da sua existência?
Aceita.
Talvez agradece, quem sabe, sorri.
Não há motivo para ficar mal.
Ser gostado é um elogio informal.

Mr. Big - Superfantastic

Contágio

Desejo melhoras à todos.

Aos enfermos de coração, que não amam.
Aos que batem de frente com o orgulho.
Aos que mentem. Ou ocultam a verdade.
Aos que sofrem ou pensam que sofrem. E também os que fazem sofrer.
E aos que têm medo. Principalmente.

Às novas gerações, não tão fortes quanto nossos avós. Essa geração que espirra e cai na cama, menstrua e parece que vai dissolver, corta a mão e não lava a louça nunca mais. Essa que acha que gravidez é doença, anorexia é saúde, pobreza é defeito, saudade é fraqueza.

Doenças ou desculpas? Doenças e desculpas.
Não dá pra contar só com a genética, os exemplos e os placebos disfarçados de promessas.

Melhoras às cabeças de todos.


Matchbox Twenty - Disease

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O corpo fala

O corpo fala mas nem sempre sei o que ele quer me dizer. Ele sussurra, chama, implora, grita, esguela. Mutila. Traz trechos distantes do que um dia se foi. Traz vontades do que um dia possa ser. Tortura. Hiberna. Manda recados sobre a pele. Faz greve de fome. Como um filho rebelde.
Tem dias que desaba. Escorre até secar. Parece até maior, de tão vazio. Como uma casa para alugar, um quarto arrumado, um coração abandonado...
E dizem que tem louco pra tudo. Um pouco louco é melhor que um corpo mudo.


Gavin DeGraw - Overrated (Stripped)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Don't touch this

Tem um vídeo rolando na rede, sugerindo que deixemos nossos celulares. No sentido de largar mesmo e ver as chances que perdemos, enquanto assistíamos a vida em uma tela.
Longo e, mesmo assim, bonito. Porque até hoje frisamos que não temos tempo.
Lembrei de quando meu celular não tinha todos esses recursos ~mínimos~ de hoje, ou até mesmo quando não tinha celular. Eu escrevia mais… e melhor, imagino.
Em contrapartida, distraía menos e sentia muito mais forte todas as alegrias, e ainda mais as tristezas e saudades.
Antes eu carregava bloquinhos de papel e canetas para todo lado, demorava-me em alguma praça, rabiscava a vida das pessoas. Hoje riscamos a nossa vida em touchscreen. Sem tocarmos uns nos outros. Ironicamente, já que touch em inglês, significa toque.
Hoje mal demoramos debaixo do chuveiro. Tudo precisa ser rápido. A fome, o sono, o carinho.
Menos os feriados. Porque desses não há quem abra mão.





Look up - por Gary Turk

domingo, 11 de maio de 2014

A última coisa que eu queria era falar de amor

Mas a gente não vive sem ele. Ou acha que não.
Dá sim para viver sem o amor, mas não sem amar.
Gente.
Um pouco de carbono, criatividade e vontade de ser meter na vida alheia.
O fascínio pelo ser humano é inevitável.
A identificação também.
O comportamento humano e a ironia social.
Isso ilumina.
E foi desse brilho que nasceu Prissílabas.
Quando as sílabas não eram suficientes para contar o que eu via.


REM - Imitation of Life

Até que...

Vivo em um mundo que as pessoas moram na internet. Habitam, vestem, alimentam-se. Conhecem e não abraçam. E, abaixo dos sorrisos estáticos, há um pouco mais (ou menos) que a ferramenta do instagram pode cortar, do que a rede pode mostrar. Eu também moro um pouco na internet. Até que sinta o vento entrando pela janela, até que a chuva entre junto e molhe os lençóis da minha cama. Até que ouça os fogos de alguma data comemorativa, quermesse ou campeonatos de futebol.

Vivo em um mundo em que a autocensura é automática quando o assunto é política, religião e homossexualismo (até hoje!). Até que apareça na novela.

Vivo em um mundo em que ninguém que eu conheço tem dinheiro nunca, mas vive viajando e aparecendo com coisas novas. Mas não discuto, talvez foram contemplados em alguma promoção.

Vivo em uma época em que citações filosóficas saem de entrevistas ou trechos de música de qualidade duvidosa.

Ah é, e eu vivo no país que vai sediar a copa do mundo. Aquele mundo mesmo, o que mora na internet. E já estou começando a desconfiar que esse 'sediar' vem de sede e não de sede, sabe? Até lá muita gente vai morrer de sede para que chova na nossa horta. E que vai ser difícil encher a taça e matar essa sede.


The Cure - The End of the World