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sexta-feira, 17 de maio de 2024

não foi minha vez

Cheguei no ponto de ficar com vergonha de ainda estar mal, vergonha de sentir saudade, vergonha de chorar. É absurdamente triste estar com alguém e só me dar conta depois que eu só queria que ele gostasse de mim do jeito que eu gostava dele. Eu nunca exigi muito, pq acho que em relacionamentos não cabem exigências. A gente tinha tanta coisa boa juntos. E construímos um nível ótimo de amizade. Mas talvez ele não tenha conseguido gostar mais e como sempre teve dificuldade pra se expressar, eu fiquei na esperança de que fosse minha vez de ser amada. Sei o quanto isso tudo soa patético. Sinto falta do que ele não conseguia me dar. No fim, faltou afeto. Cada vez que eu morro depois de um relacionamento, tenho esperança de um outro recomeço. Dessa vez não sei se tenho mais. Agora sempre acho que não vou mais me sentir segura, que ninguém vai dizer que me ama, como a última vez, e que me dizer adeus vai ser só mais uma quarta feira qualquer.

terça-feira, 19 de março de 2024

Eu te amo e vai passar

O diálogo mais famoso de fleabag é quando a personagem da Phoebe Waller-Bridge fala que ama o padre gato e ele responde: "vai passar". É um momento angustiante, e eu me derreteria inteira, jogada no chão da cozinha, cada vez que lembrasse dessa cena, se não fosse a compreensão dela no final. Se ela, que foi a rejeitada, logo depois de confessar o seu amor, entendeu, porque eu não entenderia?

Às vezes o amor só não dá mais certo depois de um tempo. Ou não é suficiente, correspondido, esperado, apreciado, existente. E eu não entendo esse sentir, se não quero mais nada.

Quando penso, agradeço a sorte de ter vivido a maior experiência que pude com o amor, com você. Tem gente que passa a vida sem saber o que é isso.

Quando sinto, ainda me rasga de ponta a ponta, que eu chego a virar noites rezando pra não te amar mais, do tanto que dói. É quando eu lembro da cena de fleabag "vai passar". Porque sei que passa. E quando esse dia chegar, vou rir tanto, que nada vai me tirar esse prazer.


(Sim, eu tô extremamente cansada desse assunto, desse sentimento, dessa dor, de pensar e falar sobre isso)

segunda-feira, 18 de março de 2024

igual sorteio da tevê

Faz uns meses que tem um projeto de texto arquivado com o nome "depois de você". Só que percebi que ainda não existe um depois de você, porque, de alguma forma, eu não tô deixando você sair de mim e nem você me deixa sair de você. E pra quê? A gente se gosta, mas não funciona junto mais. 

Não quero ficar presa à uma pessoa que já seguiu a vida e que já tem outra pessoa, você consegue me entender? Parece que você adivinha o momento que eu tô quase te deixando ir e reaparece, aí eu fico com a sensação de esperança da gente ficar junto de novo algum dia. 

É tipo promoção dos anos 90: é só você juntar 20 embalagens, preencher um negócio, comprar um envelope, selo, não esquecer de responder por quem o seu coração apanha e enviar para uma caixa postal. E torcer muito pra ser uma das cartas sorteadas, das que vão jogar em cima do apresentador no palco, ao lado de um carro girando, num intervalo de um programa qualquer. E, se chegar a ganhar, pode nem ser o prêmio que você quer.

É muito trabalhoso e dolorido esperar por você. E ainda não tem garantia que vai dar certo ou que vai ser o que a gente precisa. Já disse, o amor não segura uma relação onde falta tantas outras coisas. Não, eu não sei o que você pode fazer. Se eu não consegui te superar nem sabendo que você assumiu outra pessoa e faz com ela tudo que eu sonhava que fizesse comigo, mas nunca fez, eu não tenho solução mesmo. Você pode falar que me odeia, na minha cara, que talvez eu ainda te queira um dia, pelas memórias, pela burrice ou pelo medo de achar que ninguém nunca mais vai gostar de mim.

Só que, e se alguém gostar e eu não gostar de volta? Eu tô cobrando reciprocidade, não tô recebendo e tô me apegando à uma coisa que não é o que eu quero? Sim, tô conversando comigo mesma e tomando no cu sozinha. É, acho que vai existir o "depois de você", afinal de contas.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Linguagem do amor

Acabei de ver uma imagem na internet que dizia: "conhecer restaurantes juntos é uma linguagem de amor". Comecei a chorar. Não conheço ninguém que ama mais isso que você. Sair pra comer, planejar viagem, ser a pessoa do "vamo", dar um jeito de me tirar de casa, porque "ficar aqui dentro sozinha muito tempo poderia me deixar depressiva"... tudo isso era a sua linguagem do amor. E eu, cega por querer tanto ouvir um "eu te amo", sempre achei que não fosse o suficiente. E infelizmente ainda acho. Mas talvez a minha linguagem do amor também não sirva pra você. Por isso não me arrependo de nada, e nem quero voltar, mesmo chorando de saudade. A gente viveu uns bons anos juntos. Até outro dia tava duvidando, mas agora acho que tinha amor sim.

Equilíbrio

A primeira foto que tiramos juntos foi numa gangorra. Em um parquinho atrás do lago de Holambra. Quando você foi conhecer uma parte da minha família. A gente tinha 2 meses de namoro e a legenda da foto era "equilíbrio". Eu achava a gente um casal meio feinho no começo, então quis começar com uma foto conceito. Pode rir. E não é como se você fosse compartilhar a foto. Você também não fazia questão de exibir a nossa relação por aí. Eu pensava que a gente não fosse durar. Tão diferentes. Nem imaginava que fosse te amar tanto e querer contar a nossa história pra todo o mundo.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Catchup e Mostarda

Todo dia 04 era dia de festa, do nosso jeito. Ou a gente saía, ou viajava (você amava essa opção mais que tudo), ou ficava pra fazer janta juntos e assistir algum filme que tivesse final feliz e paisagens de outros países, porque assim agradava os dois. A invenção do termo "mesversário" nunca foi tão bem aproveitada. A gente não tinha nada a ver. Eu escutava isso desde o começo até depois do fim. O gosto musical, tipo de rolê, sabores de pizza. Inclusive teve aquele vez no rodízio que passavam com dois sabores e o que eu escolhia você não gostava e vice versa. Opostos complementares. Eu cerveja, ele vinho. Nenhum dos dois café. E quando, sem querer, a gente saía um de vermelho e um de amarelo, sem combinar? Isso acontecia muito. Então a gente olhava pra cara um do outro e falava "catchup e mostarda", por mais que a preferida dos dois sempre fosse a maionese. Era uma coisa muito nossa, igual quando os casais colocam apelidos carinhosos um no outro, sabe? Um dia eu até tentei, na brincadeira, porque sempre achei brega, então permaneceu secreto, como várias outras coisas, dessas que a gente entende só de olhar um para o outro. São muitas memórias. Não quero esquecer, só quero que não fique doendo. Feliz dia 04. Espero que você esteja bem.

(hoje seriam oito anos, desde aquele beijo "só pra ver se vale a pena", e valeu)

domingo, 31 de dezembro de 2023

Você precisa mudar o seu pensamento

Esse texto tem umas ironias.

Devia ter parado no primeiro "você precisa mudar seu pensamento". O que vem depois disso não pode ser amor. Mas eu quis pagar pra ver. Eu não, ele. Que foi pagando muita coisa porque "não era todo mundo que tinha essas oportunidades" que ele me proporcionava. E o meu dinheiro era pouco e muito difícil de ser ganhado, né? Colei nele, que "sabia das coisas" e fui vivendo, aconchegada com tantos "você é ótima", "me preocupo com você" e "melhor que a gente não tem", que cheguei a pensar que um dia o "eu te amo" viria também. Não veio. Aí eu também parei de falar. Tava me sentindo muito idiota em chamar de amor alguém que nem me chamava pelo nome. Nunca me senti suficiente pra ele. Sim, tinha beijo na boca, o melhor abraço e era tão bom dormir junto, nas raríssimas vezes que acontecia. Ele fazia questão de estar junto em tudo, e com ele eu não precisava marcar horário, então tudo bem, né? Não lembro dele com tesão em mim, daquele jeito gostoso que a pessoa te olha mordendo o lábio ou te encoxando enquanto você cozinha, sabe? Mas a vida não é só sexo, gente. Vocês que superestimam isso, eu hein? Com o tempo eu também parei de sentir necessidade disso e matava a vontade sozinha. É sobre tirar a "responsabilidade" do outro. Não se engane, eu fui muito feliz. Acho que a gente foi, de verdade. Mas não poderia ficar te segurando pra sempre, cobrando algo que deveria ser espontâneo. E como ninguém é obrigado a nada, a coragem pra terminar veio. Ou um medo disfarçado de coragem, porque no fundo eu queria estar errada e ouvir você responder qualquer coisa, lutando pela gente. Nunca vi alguém aceitar tão fácil uma decisão que eu demorei anos pra tomar, chorando a cada segundo. Realmente, existem dois tipos de pessoa. Eu sou a que precisou mudar o pensamento.

Acabei de ler que despedidas não são confortáveis, mas talvez nem a permanência seja. Eu demorei 2 anos até criar coragem pra terminar um relacionamento de 7 anos porque era bom ter companhia e eu gostava dele. O amor é tão egoísta. E foi esse fio de coragem que soltou a gente do fracasso. Cada um teve seu jeito de lidar. E, por algum motivo, pensei que eu fosse fazer falta ali. Não fiz. E isso doeu mais que tudo. Conheci e me envolvi com tanta gente legal, que não me cobrou nada, não me colocou pra baixo e nem tentou controlar. Nada preencheu a (falsa) sensação que eu tinha com ele (por enquanto). Parece que eu não quero ficar bem, mas é preciso viver o luto, com ênfase no viver. Eu sei que tô monotemática, mas isso tem me ajudado a melhorar, esquecer ele e lembrar de mim.

4h da manhã do último dia de 2023. E eu queria poder dizer que essa é a última vez que lamento sobre a dor que tem sido aprender a parar de lutar pelo amor de alguém que ficou bem demais em me perder. A parte que pode ter sido um livramento pra mim também parece tão pequena nesse momento.

Ninguém fala no tanto que é complicado pegar tudo que tá resolvido na cabeça e encaixar no coração. 

A pessoa que disse que a ignorância é uma bênção deve ter se machucado muito com informações desnecessárias e não solicitadas. Talvez essa pessoa também tenha acordado, do nada, às 4h da manhã chorando pelo que não deveria, e com raiva disso.

Se eu fosse culpar alguma coisa, pra tentar racionalizar algo que não é racional, seria a dependência emocional que a gente cria quando se envolve com alguém que tenta controlar a gente. Na minha cabeça não faz sentido sofrer por isso, mas fala isso pro resto de mim, que ainda treme acordando de madrugada. Precisa passar.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

A minha lente do amor

Esses dias vi em algum lugar que não existe sim no talvez. Pensei em todos os "talvez" que você já me falou. Por muitas vezes cheguei a pensar que eu era difícil de amar e que tava fazendo alguma coisa errada pra nunca ter escutado um "eu te amo" de você. Isso me levou direto para dentro de uma comédia romântica de 1997. A Pri adolescente fez escola nos filmes desse gênero. A lente do amor me fez sofrer junto com a Meg Ryan quando ela fez de tudo pra se vingar de um ex até descobrir que ele simplesmente não conseguiu se apaixonar por ela. Não era culpa de ninguém. Ironicamente, foi o último filme que a gente assistiu junto.

Demorou 10 meses pra eu parar de chorar e entender que eu poderia ter te dado o maior amor que eu sentia, e mesmo se eu fosse a Meg Ryan, nada disso poderia fazer você me amar como eu gostaria ou achava que precisava. É que é difícil pensar nessas coisas enquanto tá doendo muito. 

Você já não é a primeira pessoa que aparece quando clico pra compartilhar um post. E eu mentiria se dissesse que não sinto falta das nossas conversas, planos de viagem, dos memes que a gente trocava, do carinho que você fazia no meu rosto com o dedo mindinho e até daquele sorrisinho de canto que você dá quando tá sem graça. Mas eu tô me curando aos poucos e preciso de mais tempo pra conseguir reaproximar de você. Todas as partes de mim, que passaram anos te esperando, estão cansadas. A gente já não se completava, sempre ficava faltando ou sobrando alguma coisa. Com o tempo tudo se ajeita. Por enquanto tô orgulhosa da minha evolução pra te deixar ir. Uma coisa de cada vez, né?

A propósito, "a lente do amor" é o nome da versão brasileira do filme. O original é "addicted to love", algo como "viciado em amor". Sinto que tô em reabilitação então.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Ter que esquecer

Em 1994 o Skank, uma das minhas bandas preferidas, lançava "Te ver". Eu tinha 7 pra 8 anos, cursava a segunda série do ensino fundamental e já achava que sabia sobre o amor. Você deveria estar na quarta série, em outra escola e, portanto, a gente ainda não se conhecia. Nosso primeiro encontro só foi acontecer em 2016. Hoje, em 2023, criei uma conexão sem pé nem cabeça, só pra dizer que tem um trecho dessa música que diz que "te ver e ter que esquecer é insuportável". Vivo defendendo que a gente não "tem que" nada, que se sentir obrigada a fazer algo estraga a experiência, que as nossas escolhas deveriam ser livres. Mas eu não tô num momento de pensar direito. Ou talvez seja o momento que eu mais esteja pensando direito na vida. Porque, desde que precisei tomar coragem pra terminar um relacionamento com quem eu amava, doeu mais do que imaginava e disse muito mais sobre o amor que eu sentia pela gente do que o ego e a teimosia em insistir em estar em um lugar que não me cabia mais. O luto desse fim demorou pra chegar, e todos os dias faço um esforço danado pra reentender como me afastar de você vai melhorar as coisas. Como "te ver e TER QUE esquecer é insuportável" mas não é impossível. E que o fim desse luto vai depender disso. Eu te amo, não desde 94, mas tempo o suficiente pra saber que deveria deixar esse amor ir, já que você não TEM QUE me amar de volta, e eu "quero ser feliz também", mas essa é outra música.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Eu tinha planejado tanta coisa pra comemorar o dia de hoje, pra celebrar a sua vida do jeito que a gente fazia em todas as datas importantes pra gente. Era pra gente passar os seus 40 juntos e, depois de alguns anos, os meus 40. E seguir comemorando até nossos 80 ou mais. Mas dizem que amar é deixar ir. E, quando eu quis pagar pra ver se ainda tinha amor aí como tinha aqui, doeu. Tá doendo. Espero que aí não esteja. Feliz 40. Você é muito especial pra mim. Eu amo você.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Mais uma vez, sofrendo parcelado, por um amor possível que escolheu não acontecer mais, Priscila? Você sabe que não manda nisso, né? Sei que tem dia que fodam-se as borboletas e os jardins, a gente só quer chorar até esvaziar o vazio que ficou.

domingo, 15 de outubro de 2023

Além do fim

Ando dormindo pouco, tarde ou cedo, em uns horários bagunçados. Já li, curti e concordei com quase todas as frases de superação de ex que apareceram no feed do instagram. Reavaliei mil vezes minha decisão de terminar. Não me arrependi nenhuma vez. Então por que caraleo ainda tô chorando sem parar?

Que eu saiba, não teve traição, a amizade permanece, e me envolvi com gente o suficiente para seguir em frente. Só que, sem o coração limpo, não dá. E o que um ego ferido não faz, né? Pensar que talvez alguém ainda escute um "eu te amo" da boca que eu queria escutar por tantos anos. Eu fiquei além do fim. Já tinha acabado fazia tanto tempo, mas gente só enxerga a ilha quando tá fora dela. Vai passar.

sábado, 14 de outubro de 2023

Paris parece mesmo bonita

Tive pesadelo.

Sao 4h51 da manhã, tô chorando e, geralmente, seria a hora que eu escreveria contando tudo pra você e você me acalmaria quando lesse. A gente tinha dessas coisas. Eu tinha pesadelos às vezes. Mas dessa vez o pesadelo foi com você. E, talvez, dessa vez, não seja um pesadelo, mas me deu palpitação e eu não tenho você pra contar. Porque a gente tá seguindo a vida, cada um na sua. E também por isso eu não posso contar pra você agora, do mesmo jeito. Você já tem de quem ouvir pesadelos agora. E eu até tenho alguém pra quem contar, mas não quero começar estragando alguma coisa que não é exatamente uma coisa, contando um pesadelo que não é pesadelo, mas é sobre você. Não tenho o direito de transferir essa responsabilidade desse jeito. Faz um tempo que estou sem você, mas só agora me senti sozinha de verdade. Por causa de um sonho com você. A gente tava em Paris, sabe? Tava frio, do jeito que eu gosto. E já tinha passado pela Espanha. Claro que tinha que ter viagem, "tudo é viagi". Mas você já tinha pra quem voltar depois disso. E eu, com todos os rolos da vida, não tinha ninguém, porque ninguém aguenta muito tempo. Ou será que eu não foco e assumo porque tô com medo de mais rejeição? De nunca ser suficiente pra ninguém. Só que isso, eventualmente, vai acontecer de novo. Ao contrário também. A ideia é acalmar e fazer doer menos cada vez, reduzir os danos. Até porque, não dá pra controlar o que a gente sente em relação ao outro, e o que o outro sente em relação a gente. E Paris parece tão bonita. Não vale a pena perder o sono chorando por isso.

sexta-feira, 13 de outubro de 2023

pelo menos durante a TPM eu preciso me afastar de você

Eu te amo, mas não amo mais a gente. E, pelo que percebi, você não me amava, mas gostava da gente. Foi por isso que acabou. Antes mesmo de terminar. Você podia ter me contado que não sentia mais, poxa. Por que o ser humano insiste e cava esperanças vazias quando não existe reciprocidade? Será que é medo de ficar só? Ou um abraço gostoso, bons momentos e viagens adiam o fim? Será que sentir alguma coisa é melhor que sentir nada? Spoiler: não é. Principalmente se essa uma coisa é o gosto amargo da rejeição. Talvez eu te ame pra sempre, mesmo não amando mais a gente. E esse amor se transforme naquela "velha canção nos teus ouvidos, das horas que passei à sombra dos teus gestos". Vinícius de Moraes sempre tem um trecho pra me rasgar inteira em cada fase da vida. Mas é isso ou três tapas na minha cara pra me recompor e lembrar que ele não vai ser o último cara que vai me amar*, caso um dia eu acredite que amou.


*a referência é do filme "alguém como você"

quinta-feira, 30 de março de 2023

das prateleiras do mercado

Largar é fácil, difícil é deixar ir. E eu que pensei que nunca mais fosse chorar desse jeito. Ainda mais de saudade de uma rotina que eu nem quero mais. Quero chegar na parte em que vou lembrar e rir, sabe? Quando a gente brincava sobre como seria caso um dia a gente não fosse mais um casal e você falava que eu ia chorar tanto quanto uma outra vez aí ou até mais, eu duvidava, a conversa acabava e a gente se abraçava (e era o melhor abraço do mundo, desde a primeira vez). Em que ponto eu fui ficar tão infeliz pra minha lista de prós e contras virar? Por que alguns dias dói? Será que o dói foi ter passado tanto tempo esperando ouvir um "euteamo" que nunca veio? Ou uma pitadinha de desejo? Ou é só que cada prateleira do maldito mercado me lembra tudo que a gente inventava de cozinhar junto e sempre ficava bom? É bizarro chorar no corredor do mercado, na frente dos vidros de palmito. Nem sei mais o que tô escrevendo. Nem sei se tá mesmo doendo.

domingo, 26 de março de 2023

Enfim

Nenhum fim é tranquilo. E eu precisei desabar completamente e sem aviso prévio pra tirar esse texto de mim.

Quando eu me apaixonei por você, não precisei de motivos ou argumentos.

O casal mais improvável e tão diferentes. E a gente se fez tão feliz. Eu amei tanta coisa que nunca pensei que fosse gostar na vida.

Quando acabou, eu tinha gratidão, muito carinho, uma lista de tentativas fracassadas e um cansaço absurdo (que eu neguei com todas as forças durante tanto tempo).

E eu não me arrependo de um único segundo, nem do amor, nem das tentativas, nem do fim.

A pior parte do fim é que ele não acaba no "não quero mais". Ele se arrasta em cada plano rasurado, hábito do dia a dia, em cada visualização de rede social. E ele dói. Pulsando como um canal recém descoberto no dente do fundo que a gente mais usa. Do nada, dói.

O fim não deixa de ser um fim, mesmo que se recomece. Mas o tempo faz com que ele fique cada dia mais longe de quando acabou e isso fortalece a gente. Nós dois. Que vamos seguir bem, sem culpa e com muita admiração, sendo você e eu.

domingo, 9 de abril de 2017

o cara das viagi

"Como pode né? Um beijo são só dois pedaços de pele se encostando e duas línguas se mexendo. Mas se esse beijo soubesse o estrago bom que tá fazendo aqui dentro... "

E ele só sorriu e me beijou.

Ele não sabia o que falar. Porque ele não é muito de falar mesmo.
E como eu falo demais...

É assim que é um sentimento de verdade, acho.
Já escrevi muito sobre as sensações de um começo e de um fim. E esse desenrolar, esse meio, esse recheio, esse nós, traz uma nostalgia boa do pertencer à um par.

Gostar da pessoa "pela boca que ela tem" é uma coisa tão fria. Nem parece sentimento.
Mas um "gosto daquele jeito que ele sorri quando me olha, na hora que chega, num dia que a gente nem sabia que ia se ver" arrepia. Misturado com aquele cabelo bagunçado e tudo o que a gente não combina, mas ri junto.... Caramba, isso é bom demais! Então a gente não pode aceitar que um beijo sejam apenas dois pedaços de pele se encostando.