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sábado, 14 de setembro de 2024

o cara do pôr do sol

Ele me convidou pra ver o pôr do sol. Achei diferente, e por ser algo que normalmente não faria, aceitei. Eu já tinha falado uns quatro nãos pra ele. E fazia pouco mais de 12h que a gente tinha se visto pela primeira vez.

Era domingo à tarde, véspera do meu aniversário e eu tava lavando roupa. Acabei, saí da lavanderia, estendi em casa e ele chegou em seguida. Pensei: "não vai dar tempo". Fui do jeito que tava. Beijo no rosto, localização compartilhada com as amigas e pronto. Deu tempo! No caminho, chegando em uma espécie de mirante, o sol parecia uma gema de ovo caipira no céu. Sentados lado a lado, passando um copo de cerveja pra lá e pra cá, agora o beijo foi na boca (e que beijo! E que boca!).

Quando vi já não tinha sol, nem som, nem gente em volta. Era só o meu corpo e o corpo dele, grudados. E, por algum motivo, não queria sair de lá. Se me disessem, na hora que eu conheci ele, que em algumas horas a gente teria um fim de tarde e noite tão bons, eu só iria rir. 

Eu comentei que no dia seguinte seria meu aniversário, né? Pois tem aquele lance de eu ter nascido à meia noite. Ele ficou comigo até depois da virada, pra eu não passar sozinha.

Em menos de 24h o cara do pôr do sol chamou minha atenção de um jeito que faz um mês que tô tentando entender, mas acho que só não precisa de explicação. 

Sei que escrevo romanticamente tudo mas a gente não tá apaixonado, o caminho até o coração tá mais difícil na fase que eu tô agora, mesmo assim, já fico animada quando sei que a gente vai se ver. É um bom sinal.

sábado, 22 de junho de 2024

o cara da comédia romântica

Conheci alguém. Ele me trata bem, conversa sobre tudo e me proporciona momentos dignos de uma comédia romântica. A gente dançou outro dia, do nada, no meio do apartamento. Nem lembro o que tava tocando (a gente tem mania de bagunçar toda a playlist o tempo todo e eu amo!). Foi um dia em que ele apareceu de surpresa. Me abraçou enquanto eu cozinhava. Me olhou com vontade enquanto eu tava ali, só existindo. Eu nem lembrava a última vez que tinha sido desejada daquele jeito. E a gente fez coisas que me deixam arrepiada até agora, só de pensar. Tem hora que me beliscar não é suficiente. Então eu mando mensagem e a gente começa a falar daquele dia, e de todos os outros que a gente ficou junto, apreciando a companhia um do outro. E o carinho, o diálogo, o sexo, aquele grude na hora de ir embora, já querendo que ele voltasse. Uma boca com sabor de recomeço, sabe? Demorou pouco mais 6 meses entre a gente se conhecer e se beijar. Até porque a gente nem tinha interesse um no outro. A gente tinha se visto uma única vez, por uns 10 minutos. E agora eu conto as horas pra ver de novo.

Sei que tem cara de história inventada, mas sempre parece ficção quando conto só a parte boa. A gente tem traumas, problemas e uma baita dificuldade pra se encontrar. Os encargos da vida adulta e o capitalismo complicam muita coisa. E a auto sabotagem. Ela vem forte demais. É quando eu acho que não mereço um capítulo assim na minha vida, é aquele "bom demais pra ser verdade". Fico me preparando para o dia que ele vai perder o interesse e eu vou chorar. Essa é a hora em que eu respiro fundo, tento relaxar (sem muito sucesso), e com muito custo, falo pra mim mesma: ninguém, muito menos eu, vai me tirar essa sensação boa. Mesmo que seja passageira. E vou dormir.

sábado, 14 de outubro de 2023

o cara da livraria

Eu tinha 22, ele 24. A gente se conheceu na livraria e eu atendi ele com o carisma de um funcionário público prestes a se aposentar, quando levantei o rosto e vi ele. Eu queria me esconder dentro de uma caixinha de big mac, mas paralisei e fiquei imaginando o que ele come no café da manhã, já que eu queria acordar todos os dias com ele agora.

Depois de alguns desencontros, a gente conseguiu namorar por 698 dias, com direito à poesia, cartas fofas, cappuccino no posto de madrugada e muitos filmes assistidos pela metade.

Até que acabou.

Chorei uns 5 anos, não por ele, mas por um personagem que criei, como se fosse ele. Chorei na balada, no trabalho, pós sexo, mercado, shopping, banheiro de bar, por aí vai. Chorei tanto que os meus amigos passaram a odiar ele, sem ele ter feito nada. Chorei até esquecer pelo que eu chorava. A gente se afastou pra eu me curar, a vida aconteceu. O meu coração ficou limpo e eu me apaixonei de novo (esse acabou também, mas essa é outra história, que eu espero não chorar 5 anos).

Hoje, 15 anos depois daquele dia na livraria, e depois de muita terapia, a gente continua amigo, não choro mais (não por isso) e guardo com carinho as boas lembranças. Não deixa de ser um felizes para sempre. Seja lá o tempo que durar esse sempre.

domingo, 24 de setembro de 2023

o cara do tictac

A gente se conheceu lá pelos 20 e poucos anos. Tava solteira fazia uns 2 anos e ele menos de 1 ano. Foram uns 10 meses de momentos legais, conversas sobre a nossa formação (que é a mesma), sexo bom e ele me mostrando que tava aprendendo sax. A gente nem sabia o que tava fazendo, eu acho. Eu escrevia sobre ele no twitter, tinha até uma hashtag pra contar que tava feliz com xis, antes do twitter ser x. Talvez ele nem saiba disso. Um dia inventei de desenhar nas balas daquela caixinha de tictac. Fiz carinhas em cada bala, pra presentear ele, do nada. Era meu jeito de dizer que tava curtindo o que a gente tinha. Aquela aventura dos vinte e poucos acabou, ele casou, eu namorei muitos anos e a gente não se viu nesse período todo. A gente nunca se apaixonou. Era mais uma amizade com fogo e benefícios. Uns 12 anos depois, a gente se viu, por acaso. Ele solteiro, eu não. Passados mais uns meses, também fiquei solteira e a gente se encontrou de novo. Eu tava numa fase muito delicada e ter alguém que me conhecia e que me deixasse a vontade foi muito bom pra ajudar com os traumas que eu tinha. A gente continuou sem se apaixonar. Mas vivemos outra aventura, com mais maturidade, dessa vez. Momentos legais, nossa profissão continua a mesma, o sexo ficou melhor ainda e agora ele já toca sax melhor, como hobby. Não teve mais balinha desenhada, mas muitas conversas, pontos de vista e uma paciência pra me ajudar a superar o que eu precisava superar. Valeu a pena.

domingo, 9 de abril de 2017

o cara das viagi

"Como pode né? Um beijo são só dois pedaços de pele se encostando e duas línguas se mexendo. Mas se esse beijo soubesse o estrago bom que tá fazendo aqui dentro... "

E ele só sorriu e me beijou.

Ele não sabia o que falar. Porque ele não é muito de falar mesmo.
E como eu falo demais...

É assim que é um sentimento de verdade, acho.
Já escrevi muito sobre as sensações de um começo e de um fim. E esse desenrolar, esse meio, esse recheio, esse nós, traz uma nostalgia boa do pertencer à um par.

Gostar da pessoa "pela boca que ela tem" é uma coisa tão fria. Nem parece sentimento.
Mas um "gosto daquele jeito que ele sorri quando me olha, na hora que chega, num dia que a gente nem sabia que ia se ver" arrepia. Misturado com aquele cabelo bagunçado e tudo o que a gente não combina, mas ri junto.... Caramba, isso é bom demais! Então a gente não pode aceitar que um beijo sejam apenas dois pedaços de pele se encostando.