domingo, 19 de setembro de 2021

O corpo é um templo?

Existe uma coisa muito errada em fazer as coisas pensando na recompensa.

Esse não é um texto sobre estética.

Pensa numa pessoa que comeu praticamente de tudo na vida, até o que não gostava, só pra quando estivesse mais velha, realizada, morando sozinha, se acabar em fast food com milk shake uma vez por semana. Eu vivi pensando nesse dia, eu comi cenoura pensando nesse dia.

Sempre achei que minha alimentação fosse ótima. Afinal, nunca tive grandes frescuras com o hortifruti. Eu como até jiló e berinjela, poxa. Só nunca fui fã de carne. E eu ia andando para o trabalho, fervia nas baladas, queimava calorias horrores.

Corta para... um dia cheguei aos 35, sedentária e fazendo pão toda semana na pandemia. É lógico que não ia dar bom. Mas também não deu ruim, ruim. Felizmente o Brasil tem uma benção chamada medicina preventiva e eu consultei com uma médica que levou isso à sério.

Cheguei com dores de cabeça e tonturas frequentes (eu não tenho dor de cabeça nem na TPM), e ela me pediu um checkup completão. Quando viu o TSH 3,99 (máx. 4,20), já falou pra gente acompanhar a cada 3 meses e eu cortar gordura e massa (só tudo que eu mais gosto).

Só que eu sempre tive esse medo de depender de alguém ou algouma coisa. Financeiramente, psicologicamente, fisicamente. Então, se ficar doente, no mínimo dependeria de remédio (e eu não tomo nem anticoncepcional). Não tem nada explicitamente proibido, mas tô competitiva comigo mesma. Cortei a batata palha industrializada e o chá mate (sim, ele não tem esse nome à toa) e diminuí refri, cerveja, sorvete, maionese e pão (inclusive, saudades).

Agora todo dia é dia de pratos coloridos. Eu adoro misturar frutas no meio da comida, invento drinks sem álcool e me arrisco em coreografias de música pop, porque até pensar em puxar ferro me deixa triste. Uma coisa de cada vez também, né? Quem venham os próximos exames (pra eu enfiar a cara num bigmac).

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Tá todo mundo de saco cheio

 Esse vai sem rima mesmo. Deu vontade de escrever. Minha mãe diz que guardar o que a gente sente pode gerar doenças perigosas. Não vale a pena arriscar. E, por não ter rima, nem buscas por palavras rebuscadas, vai ser mais descuidado e mais simples de entender. Será?

Eu sei que tá todo mundo cansado. Clichezeira essa que não para de aparecer no feed de cada um. A nossa geração, cria de malhação com Mocotó, não viu uma guerra, não sabe o que é sofrimento além de esperar meia noite para acessar a internet discada. A gente tem celular desde a adolescência praticamente. Mas estamos sempre cansados mesmo assim.

Não sei se todo mundo percebeu, pela raiz da palavra ou pelos noticiários, mas não é só o alecrim dourado que tá passando a pandemia com restrições de não poder viajar e ferver na balada. A gente tá passando tudo isso numa era com internet e delivery, poxa. No começo da pandemia eu liguei pra minha vó e ela contou um pouco de como foi passar a infância na segunda guerra mundial. Sério, gente, que vocês estão putinhos com não poder juntar a turma num rodízio?

Também tô cansada, de saco cheio, não tô me isentando não. Tô super de saco cheio da falta de respeito e da cobrança das pessoas. Acha que já tá de boa sair, passear, juntar pessoas, visitar? Vai. Mas não fica me cobrando. Não fica querendo que eu me sinta mal por não me sentir segura ainda. Criticar meu auto cuidado só faz com que eu não queira mais encontrar essas pessoas, mesmo as que eu gosto. Só respeita. Ninguém tá bem.


Em tempo: isso não é só agora. isso serve para cada "não quero" que não é aceito e respeitado. Às vezes a gente só não quer mesmo, não precisa ter um motivo, nem colocar a culpa em ninguém.

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Sabe o que eu queria?
Que esse vírus passasse reto em minoria
Eu acredito em missão
E que ninguém passa o que não deveria
Só que as tais oportunidades que vem e vão
Às vezes nem chegam na periferia

E não é só na margem que tem
A gente pode falar do meio também
A camada mais desorganizada
Com uma parcela que se acha barão, de elite
Mas continua devendo pensão
E participa de carreata dentro do hb20

Mas imagina só que louco
A nova seleção natural
Não querer saber da sua rotina matinal
Nem dos seus likes no canal
Te escolhe vencedora
Por batalhas que você venceu de fato
Sobreviver à sociedade opressora
Ou não ter o que comer no prato

Uma chance de inverter os papéis
só que de um jeito diferente
Porque minorias são gente decente
E não iriam substituir coronéis
Formariam sua própria patente

Porque se é pra ser seletivo
e levar a sociedade a pensar
Poderia ter mais claro esse motivo
Eu até aceitaria um spoiler definitivo
Antes de assistir o mundo acabar.

Priscila Medeiros Pereira 15/04/2020
Em quarentena, durante a pandemia de COVID-19

segunda-feira, 29 de julho de 2019

33

São 33 anos.
Bem aproveitados, até onde consegui pagar.

Esse não é um texto de esperança, nem de desabafo e,
talvez, nem seja um texto que você queira ler. Ou talvez seja.

Já tomei péssimas decisões:
Não soube valorizar meu trabalho.
Ainda tenho vergonha de calcular e passar preço.
Já me comparei muito com outras pessoas.
Descobri que existe gente ruim de verdade.
Nunca pensei que fosse pegar ranço por causa de política.

Mas também tomei ótimas decisões:
Comemorei tantas pequenas conquistas.
Parei de assistir televisão há mais de 10 anos.
Nunca passei roupa.
Encontrei muitas famílias reais, de coração bom e braços abertos.
Larguei mão da CLT para virar MEI.
Melhor ter amigos de qualidade que quantidade de amigos

Ainda assim, eu não tô acreditando que vivi até hoje para ver tanto absurdo acontecer.
Com apoio, ainda por cima. E de gente que conheço e sempre quis bem. Dói todos os dias.

A gente ri com a internet, a gente tenta viver nossa vidinha, como se não fosse chegar nada aqui, no interior (do estado de SP e no nosso interior), mas tá matando aos poucos sim. Nunca tivemos tanta saúde emocional e financeira, abaladas. Nunca tivemos tanta vergonha.

Aprendi que, todo mundo que a gente conhece, infelizmente, não é o suficiente para melhorar tudo o que a gente precisa melhorar. Mas é ótimo saber que a gente não tá sozinho.

Acho que é como um eterno jogo de sinuca. Alguns jogam para se divertir, alguns seguem as regras certinho, alguns preferem só assistir e alguns não se importam em perder, desde que o outro acabe pior.

Fique quem quiser. Sabendo que meus braços estão abertos, se você não quiser matar os meus amigos, tirar os nossos direitos, envenenar nossa comida ou deixar a quinta série no poder. Seja bem vindo. Porque aqui ninguém solta a mão de ninguém.

domingo, 18 de março de 2018

BurnOut

Sou super contra spoilers, mas esse texto provavelmente vai ficar sem final, tá?

Por mais que eu queira me aprofundar no motivo que me fez abrir essa tela e desabafar, parece que o tempo está sempre apertando mais e mais todos os dias. É como se meus dedos não dessem conta de digitar tudo o que se passa pela minha cabeça. Tá difícil organizar as ideias, então perdão se estiver tudo ao contrário por aqui.

A internet é um lugar onde tudo pode acontecer, certo?
Sabe aquelas emergências?
Uma receita, uma saudade, uma fuga da realidade. Tá tudo ali.

Inclusive, enquanto escrevo isso, lembro dos meus 13 anos, quando tinha aquele orgulho de falar que era uma MTVciada. Era divertido, pelo princípio de ser o melhor canal na minha opinião, na minha idade e tal... mas hoje acho essa palavra tão pesada: vício. Como tantas outras, aliás.

Acompanho YouTube o suficiente para ficar preocupada com coisas que considero pouco úteis talvez. Ou não. Nem sei. As redes sociais me deixam confusa. A gente sente alguma necessidade de se expor, e ao mesmo tempo não quer que ninguém se meta na nossa vida.

Hoje estava tentando, pelo quinto dia consecutivo, terminar um job que mal comecei (e sim, estou me sentindo absurdamente inútil por não conseguir focar nele) e ouvi falar sobre a síndrome de Burn Out (dá um Google no site do Dr. Drauzio) e saquei esse esgotamento aí. Não sei se é a mania de  identificar com tudo para pertencer à algo ou é isso que tá acontecendo mesmo. Mas faz sentido, hein? Faz algum tempo que estou cometendo alguns erros de português simples, choro descontrolavelmente, não tenho vontade de sair, nem de ver nenhum dos meus amigos, e as ideias chegam assim, como esse texto, na minha cabeça: fora de ordem e sem resumos. Talvez sejam preocupações, ou o fato de nunca ter tirado férias de verdade, ou.... e tudo o que ameaça a saúde mental, compromete os resultados e objetivos. Que objetivos?

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Cumprindo pena

A gente não pode simplesmente gostar de alguém e querer ficar junto? Eu me pergunto isso todos os dias. Ficar junto meio que pra sempre, porque quando a gente tá com alguém legal, a gente não pensa em não estar junto, sabe?
Ficar junto sem papéis dizendo isso, sem rótulos, sem nomenclaturas horrorosas...
Se você resolve oficializar e assinar, vira "casado", se resolve morar junto, mas não pagar para ficar junto perante a lei, vira "amasiado". Putaria, só consigo pensar nessa palavra.

A gente não pode só amar em paz e pronto? Acordar junto, almoçar com os amigos e com a família sem olhares tortos ou pior que tudo na vida, gente chamando de "marido e esposa".

Já temos o nome na certidão de nascimento, aquela que você perde, junto com o dinheiro que vai pro cartório quando assina um contrato dizendo que vai ficar com alguém até que outro documento anule isso. Meu Deus, me salve dessa sociedade, por favor! A minha ideia de "felizes para sempre" não era essa.

Tem gente que tem esse sonho e é a coisa mais linda do mundo? Claro que tem. Mas não é o meu.
Posso mudar de ideia? Todos os dias mudamos, não é mesmo?

Eu já tenho nome. Ele também. E nossos nomes ficam até bem bonitinhos juntos. Mas também não precisa ser em um documento todo sério com testemunhas, juíz, em uma cerimônia com gente desconhecida e música midi bem brega. A gente não tá cumprindo pena, a gente tá feliz junto, só isso.

Por amor ou por dinheiro?

Alguns meses atrás, perguntei no facebook: "você trabalha por amor ou por dinheiro?". Não que eu seja uma pessoa influente, até porque isso é muito relativo (e papo para outro texto), mas bateu uma curiosidade/dúvida se eu mesma estava fazendo as coisas "direito".

As respostas não me surpreenderam.
Como eu imaginava, quem respondeu trabalhar por amor, faz o que gosta, custe o que custar (mas eu aposto que boa parte não faz nada de graça, então fica a reflexão). E quem trabalha por dinheiro, provavelmente se sente preso à vida corporativa apenas por ter contas a pagar. Talvez não também.

Teve quem perguntou meu ponto de vista. Demorei anos para responder isso dentro da minha cabeça, antes de fazer essa pergunta para outras pessoas. E cheguei à várias respostas diferentes.

Hoje, infelizmente, eu trabalho por dinheiro. O mundo cobra até a água que eu bebo, mesmo que seja da torneira. Ao mesmo tempo, amo o que faço, embora muitas pessoas não levem à sério.
Quando a gente deixa o amor ser a nossa principal fonte de renda, as pessoas querem pagar com afeto. E, apesar de imensurável, o amor não paga boletos. É aí que a coisa aperta. Sem falar que misturar amor com trabalho é okay, mas o dinheiro azeda o amor.

Claro que existem fases. A gente não abre um negócio e já chega no auge.
Começa-se do zero. Em tudo. Na vida.
A diferença é o tempo que essas fases duram em cada empreitada.

O que eu amo, por exemplo, leva o primeiro lugar quando o assunto é corte de despesas, é o último na fila dos boletos (às vezes nem quitado por muitos meses). O desânimo diminui o amor. Por isso eu misturo trabalho com amor, mas nunca amor com dinheiro. Pode dar uma ressaca terrível.