segunda-feira, 11 de junho de 2012

Finding Other Place to Be

Quando acaba
a respiração corta
sem perceber um recomeço
batendo à minha porta

Só quero lembrar de não esquecer
os momentos que tive
e os que não pude ter

E os meios planos (insanos)
que demorariam milhões de anos
para acontecer

Mesmo me sentindo tão pequena
tão dentro de um poema
tudo valeu a pena

Eu te gosto, e aposto
que não há nada a ser feito
seja arrancar do peito
ou pensar direito

O tempo que vai me dizer
e que nada se intrometa
porque agora preciso aprender
a ser feliz com todas as letras



sábado, 9 de junho de 2012

Sou dessas

Sou dessas
que fazem promessas
que vão às festas
e voltam às avessas

Que tem vontades guardadas
que acredita em contos de fadas
e sonha com mãos dadas
em longas caminhadas

Sou daquelas donzelas
que se debruçam nas janelas
à espera das caravelas

E que longe do devaneio
percebe que ele não veio
e se cansa de esperar

Se atira no fundo do poço
por não encontrar nenhum moço
que queira lhe conquistar





quinta-feira, 7 de junho de 2012

O tempo e o que fazemos com ele

Primeiro era um tempo
em que o tempo era escasso
cada laço, cada abraço,
era só mais um passo

Esse tempo passava depressa
e parecia querer enfrentar
sorrisos ocupavam o espaço
não tinha tempo pra brigar

De tanto desejar mais horas
o tempo atendeu a vontade
tirou você do lado
e deu o troco em saudade

E o tempo passou devagar
como se nunca fosse acabar
e ocupou os dias, intelectualmente
porque carícias de outro alguém
poderia remeter às carícias da gente

Então espere o tempo passar
e pense bem antes de mergulhar
porque um coração cheio de mágoa
Só vai contaminar a água.



segunda-feira, 28 de maio de 2012

Silêncio



Entra pela janela e fica. Interrompido pela geladeira ou o roçar das meias no tapete da sala.
Ensina seu segredo. Eu, que era tão acostumada com as onomatopéias da vida. Agora deixo a multidão que morava dentro de mim e te aprecio. Imploro por um momento à sós.
Me faz incógnita. Abafa meus pedidos de socorro. Para quando eu gritar, que seja com vontade.
Arrebenta meu peito. Acaba com o ronco do motor. Deixa ele respirar leve, viver calmo. Cala o gotejar das lágrimas, o escorrer do sangue, o mastigar dos dentes. Me deixa viver na escassez dos ruídos do dia a dia. Deixa tudo quieto pra eu poder sentir. Porque é no calar das bocas que se ouve o coração.



Simon and Garfunkel - The Sound of Silence

domingo, 13 de maio de 2012

*Para Li*


Amanhece mais um domingo. E que por acaso é também mais um feriado comercial. Além da macarronada, do frango assado com maionese e farofa, é dia das mães. Aí vem algumas pessoas no maior clichê defender que deveria ser comemorado todos os dias. Sim, mas não vamos ficar frisando porque cansa.
Pareço um tanto insensível em minhas palavras, eu sei, mas minha família ‘primária’, digamos assim (mãe, pai e irmãs mais lindas do mundo) não têm o hábito de toda a melação. E isso não significa que não nos amamos. Por que devemos entender o “jeito de amar” de todas as pessoas que antes eram simples desconhecidos e não podemos entender quem nasceu, cresceu e viveu muito tempo ao nosso lado, torcendo por nós?
Enfim, hoje de manhã encontrei um passarinho recém nascido no meu quintal. Fraco, nem abria os olhos. Fiz uma espécie de ninho e o mantive quentinho. Não comeu. No final do dia não aguentou. Foram poucas horas mas deu vontade de chorar e ver que ele não resistiu. (A sensibilidade existe em mim, vêem?).
Pensei então que não deveria ter tido muita esperança no bichinho, ele estava só. Eu tentei, mas não era mãe dele. E não dá pra aguentar feliz sem a nossa mãe. Dá pra sobreviver na maioria das vezes, mas é natural que ela seja a primeira nos nossos pedidos de socorro e conquistas.
Nossas mães estão sempre ali, nas receitas de família, nas expressões faciais, na caligrafia...
Porque a minha mãe sabe que eu a amo, a 300km de distância. Com ou sem abraço. Infinitamente. Ela acredita na minha capacidade. E se já ofereci versos a quem nem soube cuidar do meu coração direito, porque não posso agraciá-la com uma prosa? Afinal de contas, nossos corações bateram juntos muitos meses.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Entre estar e permanecer

Despretensiosamente você aconteceu na minha vida.
Se o problema é cada um enxergar a relação de uma forma, ou de não enxergar relação nenhuma. Não vamos pensar em futuro então. Não quero saber se estaremos de mãos dadas quando as folhas caírem, se vamos tomar sorvete no verão. Se estarei sorrindo para você na primavera. Ou se vamos continuar abraçados até o final desse inverno. Eu só quero estar com você hoje. E torcendo, inconscientemente, para que sempre haja um amanhã.

U2 - Stay

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Nem sempre...


Nem sempre amor é à primeira vista.
Nem sempre é amor.
Nem sempre a grama do vizinho é mais verdinha.
Nem sempre o vizinho tem grama.
Nem sempre fazer o certo é fazer o bem.
Nem sempre colorido é bonito ou preto e branco é triste.
Nem sempre a mentira ajuda. Nem sempre a verdade dói.
Nem sempre música agita, multidão irrita
Nem sempre quem procura, acha
Nem sempre sexo relaxa
E nem sempre, “pra sempre” dura muito tempo.