Olhou para o celular mais uma vez.
Queria que essa fosse a última. Queria que agora tivesse um recado, um sinal de
que estava tudo bem. Queria ouvir a voz dele... queria tantas coisas que já não
cabiam nela. Não pensava chegar à esse ponto. Não de novo. Mas sabia que
poderia acontecer. Porque simplesmente se conhecia muito bem. Claro que não era
a mesma intensidade, nem o mesmo sentimento, como aquele que há algum tempo...
enfim, era bom. E, depois de tanto tempo, ser bom era só o começo.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Sobre o tempo e nada mais
Sempre
me faltou um pouco de egoísmo na relação, então...
Você
acha mesmo que perco tempo falando de você?
Lógico
que não.
Para
mim, falar de você não é perda de tempo.
Em
outro tempo, eu falava com você, e preferia.
Mas
a gente se vira com o que tem, não é?
E
não se iluda, não é nenhum sacrifício ficar sem.
Aliás,
nunca estou sozinha, ao contrário de você que se sente só em meio a uma
multidão.
Se
sinto a sua falta? Não.
Sinto
falta de nós, porque você comigo é muito mais legal que você sozinho, aceite
isso.
Cheguei
a pensar que nunca se importou de verdade. (E é muito triste pensar isso).
Dói.
Mas dói como cortar o dedo com papel. Arde muito e a gente só percebe quando já
está cicatrizando.
Então,
se falar de mim, vou saber que estará pensando em mim e soará como música para
os meus ouvidos, só que se eu não gostar da melodia, cuidado que posso estourar
a caixa de som.
domingo, 8 de abril de 2012
(V)azia
Então
de vez em quando eu desacelero
Olho
em volta, tanta gente. Olho aqui dentro, ninguém.
Penso
no futuro, que sempre será futuro, e que não vem.
Rir
é tão difícil às vezes, e o que fazer quando o ‘melhor remédio’ não está disponível?
Chorar
como? Se as lágrimas secam antes de sair.
E
o corpo arde por não conseguir sentir.
O
mundo está diferente.
Parece
que estou vendo por fora. E que lá dentro está tudo bem.
Todos
juntos e felizes, nesse mundo que também era meu.
Mas
o que estou fazendo do lado de fora?
Não
tem mais ninguém sobrando, como eu.
Para
que eu quero descer!
Eu
e meus cabelos bagunçados, unhas por fazer e meus olhos brilhando sem escorrer.
Então
de vez em quando eu desespero.
Espero
o dia acabar, na ânsia do bem estar.
Só
tentando me preencher.
sábado, 7 de abril de 2012
Delírio IV
Às
vezes eu queria ser uma praça num fim de tarde. Testemunhando juras de amor,
oferecendo-me de palco para histórias, aconselhando passarinhos, abrigando
feirantes. Uma praça com sombra gostosa. Com sonhos pendurados sob os galhos
das árvores. Com dedos entrelaçados em algum canto do coreto.
Guardando
os primeiros aprendizados, com gosto de sorvete de cereja e cheiro de
‘merthiolate’. O som dos latidos e miados. O aroma da loção pós barba misturado
com o cafezinho de costume. E os sorrisos. Porque é mais que bancos e grama. É surpresa pra quem ama, é risada gostosa de criança. É solidão e companhia. E saudade com vento no rosto.
domingo, 25 de março de 2012
Delirando entre certo e errado
Passamos
a vida procurando pelo certo, sem saber que o certo mesmo é não procurar.
Porque ele não está esperando ser encontrado.
Porque
ele vai simplesmente aparecer quando for a hora.
Pensamos
que ‘diversão com os errados’ é válido. Sem imaginar que podem não ser errados.
Cada um é certo dentro do seu momento.
Lamentar
situações e relacionamentos é uma prova de que o amadurecimento ainda precisa
chegar. (e que seja antes da pessoa ‘certa’)
Podemos
pensar que todos são certos, para o resto da vida. Não é errado, já que
passamos uma vida com cada um. Mesmo que seja pouco tempo. Pois alguns segundos
podem ser eternos.
Vários
anos de amargura são facilmente substituídos por poucas semanas de intensidade.
E
o mais importante é aquilo que resiste à todas essas passagens e situações:
você.
segunda-feira, 19 de março de 2012
(Des)necessidades
Desperdício
é perda. Perda é a falta. Falta é saudade que não volta.
Reduzir,
reutilizar, reciclar. Está impresso em todo lugar.
Tudo
que é demais faz mal. E sobra.
E
se sobra, alguém cobra.
E
se cobra, alguém precisa pagar.
Mesmo
que não dê mais para aproveitar.
Água,
papel, voto, alimento, tempo, dinheiro, palavras, energia...
Sonhos,
amor, alegria... Desperdícios do dia a dia.
E
a vida seca, fica sem luz
Sem
planos e sem cor
Porque
a gente joga fora
O
que deveria dar valor.
E
nem venham falar de racionamento
Neste
momento
Com
tanta gente “morrendo”
Por
falta de “tratamento”.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Situações e Sintomas
Acabou. Acabou o ar.
E você, hein, coração, tinha
que se manifestar?
Disparar que nem um estilingue
dentro do meu peito?
Parecia até um alarme de
incêndio. Exceto pelo fato de que não havia fogo. Só gelo.
E a pressão caiu. Lembrando da
pressão dos seu corpo no meu.
Nem vou perguntar o porquê
disso tudo.
Não vou encher minha cabeça com
questionamentos que já sei que ninguém vai responder.
Quando não há muito o que
contar, não há o que sentir. Ou há?
Sem olhos nos olhos, nem memória
do olfato, nem música só nossa.
Apenas um acordo.
E muitas surpresas no caminho.
E pernas que não respondem,
tropeços não programados, sustos daqueles que a gente ri muito depois...
E falta de ar...
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