quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Tô escrevendo mal e isso é bom

Sempre tive um puta orgulho das coisas que escrevo. Mas ultimamente tá tudo tão mal escrito. Não vou apagar porque é parte da minha trajetória, mas os 3 últimos parece que são notas aleatórias que esqueci em algum arquivo. Tudo misturado, descuidado, sem uma estrutura, um desfecho gostoso, com sabor de quero mais. Mas acho que sei o que tá rolando.

De 2000 a 2009 participei de alguns concursos literários. 2000 me rendeu um prêmio, entregue na prefeitura, primeiro lugar da escola. Era uma escola pequena, e só as oitavas devem ter participado, não me lembro. Era um texto objetivo, sobre o perfil da mulher do ano 2000. Saí até no jornal, com o uniforme horrível da oitava série e um batom prateado, mais horrível ainda, mas que me colocava bem inserida na galera, no auge dos meus 13 anos.

Em 2003 eu cursava o último ano do ensino médio e a minha escola lançou o primeiro concurso de textos entre os alunos. Fiquei em segundo lugar na categoria poesia e o título da minha obra era "mágoas retratadas". À essa altura eu já tinha percebido que as desilusões da vida me inspiravam mais do que momentos felizes. Inclusive, era sobre isso que o poema falava. Que desilusões, Priscila? Eu só tinha 17 anos no final de 2003.

Mas tudo isso fazia sentido, no final das contas. Quando tô mal, remoendo, lamentando, indagando, toda a dor se transforma em verso, pra tirar de mim e doer menos. Quando tô feliz, tô só vivendo e evito perguntar até que hora vai dar errado, porque não tô acostumada com as coisas dando certo. Coisa de ser humano.

Leia final feliz

São 2h da manhã e eu não consigo dormir porque tô com dor. Aftas e dor no ouvido. Ou manifestações físicas de estresse emocional, como sugeriu o psicólogo. 

Peguei um livro do Vargas Llosa que li em 2013. Tá até com o selo e a data da compra. Pelo visto, me dei de aniversário. Por algum motivo lembrei que o autor era político e fui pesquisar de que lado. Peguei outros livros de outras autoras. Dois para reler e um para ler pela primeira vez. Li as orelhas e voltei para o google "livros com final feliz". Foi uma pesquisa legítima, visto que o último final que tive foi triste e doeu até recentemente. Entre "o amor nos tempos do cólera" (que li e não me lembro), "p.s. eu te amo" e, pasme, "perfume", ainda aparece "Romeu e Julieta". Aparentemente, até o conceito de final feliz é muito pessoal.
Sem mentir, a primeira imagem que surge na cabeça quando se fala em final feliz é um casal junto, certo? Aí quando a gente se realiza em tantos outros pontos da vida e não faz parte de um casal, vem a frustração. Mas isso foi só pra refletir, porque na ficção eu continuo sendo a massa que se derrete com um casal fofo. Uma eterna adolescente iludida.

Afeto assinatura

 

Tem um vídeo na internet que fala sobre as pequenas demonstrações de afeto e o cara relata uma relação que teve com uma menina que mordia ele. E essa era a forma que ela tinha de mostrar o tanto que gostava dele.

Eu vim de experiências com demonstrações tímidas direcionadas à mim, ou talvez eu só quisesse um pouco de carinho em público, algo que me fizesse sentir mais segura e assumida em uma relação.

Comecei a me perguntar se eu tenho uma demonstração que seja muito minha, como uma assinatura, que me fizesse inesquecível.

Mas pra quê, né?

Acho que ainda tô machucada. E meu psicólogo tem razão. O conceito de amor tá bagunçado pra mim porque a minha maior experiência com amor não terminou como eu gostaria.

Seguimos.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Música de casamento

Recuperei minha conta do spotify, né? Aí achei essa playlist, perfeita para a TPM, que chama "10 years of heartache" (10 anos de mágoa / melancolia / dor de coração) e isso me fez pensar em umas coisas aqui...

Ficar com quem te admira, te respeita e te apoia é um dos mais comuns incentivos encontrados em citações na internet, nas mais diversas versões. Mas e quando a gente confunde manipulação com admiração, respeito e apoio? Ou qualquer outra coisa. O fato é que às vezes parece que a gente esquece o real conceito de algumas palavras enquanto uma situação, dessas fortemente emocionais, tá acontecendo.

Isso me faz lembrar da enorme quantidade de músicas sobre traição e sofrimento tocadas em casamento. E na nossa base social de que "música de casamento" precisa, entre muitas aspas, ter uma certa "melodia de amor", não importando a mensagem. Ao mesmo tempo que a gente têm apego à alguns conceitos, a gente destrói outros tão facilmente. Até o não padrão é um padrão.