Não quero saber as horas, só quero ter tempo. E quem sabe, alguém sem pressa. Para me fazer companhia. E deixar o tempo escorrer de uma forma que a gente não sinta o passar das horas e calcule os segundos para o próximo encontro. Porque já passou da hora de ser feliz e eu não tenho mais tempo para desperdiçar.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Em ponto
Não sei mais dizer as horas. Arrisco inclusive a duvidar que o tempo esteja passando de fato. É tanta mesmice, tanto descaso, que me recuso a subir no bonde andando. Já sei mesmo que não vai para lugar algum. O relógio da praça tem a resposta bem ali, marcada por luzes fracas, debaixo do sol. Mas talvez eu tenha perdido as esperanças de que alguém fosse me responder as horas caso eu perguntasse. Assim, evito o relógio da praça também.
Não quero saber as horas, só quero ter tempo. E quem sabe, alguém sem pressa. Para me fazer companhia. E deixar o tempo escorrer de uma forma que a gente não sinta o passar das horas e calcule os segundos para o próximo encontro. Porque já passou da hora de ser feliz e eu não tenho mais tempo para desperdiçar.
Não quero saber as horas, só quero ter tempo. E quem sabe, alguém sem pressa. Para me fazer companhia. E deixar o tempo escorrer de uma forma que a gente não sinta o passar das horas e calcule os segundos para o próximo encontro. Porque já passou da hora de ser feliz e eu não tenho mais tempo para desperdiçar.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Por completo
É nesse amar por completo que sou completamente eu, completamente sua, vivo completamente louca, me sinto completamente viva.
E é nesse amar por completo que me despedaço.
Fico me açoitando com lembranças que não querem ser lembradas, sonhos que não querem ser sonhados e falsas esperanças. Enquanto me descrevo, me escrevo, me encorajo a entender que amar por completo pode ter outro destinatário.
É fácil alertar sobre os perigos da mente humana ou os segredos do coração enquanto curamos um nó na garganta. Mas ninguém parece entender a vontade que dá de deitar e só levantar quando você voltar...
Se voltar.
Mas não devo me atrever a desejar as velharias enferrujadas de nós dois e tapar meus olhos para o que há por vir.
Ah, se eu soubesse lá atrás, lá onde os olhos se encontram... que é nesse amar por completo que me desfaço e me conserto. E que não sei amar de outro jeito.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Por dentro
Arranca-me da garganta. Mas por que só da garganta? Arranca de mim toda. Para que nada mais fique entalado. Aproveita o momento em que vou me deitar. A fragilidade pós banho, a ansiedade pelos sonhos, a vulnerabilidade do meu corpo fresco. Não considere golpear minha cabeça. Deixa-me assistir. Faça-me cortes superficiais. Quero ver o sangue escorrer. A dor é suportável... muito mais do que essa aqui dentro. Me arranque as entranhas e se delicie. Se lambuze com o meu ser. Epiderme, hipoderme. Morda minha carne e mastigue os orgãos crus, um a um. Enquanto você me saboreia, eu viajo dentro de você. Deslizo, derreto, deixo um sabor marcante. Aproveite. E antes de pensar em me degustar como uma iguaria qualquer, saiba mastigar corretamente, com calma e tenha consciência de que pode suportar me engolir. Posso ser indigesta e deixar um gosto amargo na sua boca.
E, se depois de me digerir dentro de você, me fizer sentir mais viva, relaxe, que é a minha vez de te devorar.
sábado, 6 de outubro de 2012
Depois do Sim
Pior que o medo de dar errado, é o medo de dar certo. Engolir a deliciosa conquista sem saborear. Apavorar sabendo que é pra valer.
Você já tinha reunido todos os traumas, não é mesmo? Posicionado estrategicamente o lenço, preparado o drink. O que fazer agora? Poderia aproveitar todos os traumas bem ali e dizer adeus, balançando o lenço em sinal de paz e beber para comemorar.
Mas não...
Se jogar é melhor, certo? Dizer "o não eu já tenho" e fingir não esperar nada. Como desejar...
E depois?
Depois cabeça baixa, meia volta, passos lentos, passividade.
Depois fúria, depois agressividade.
Depois olhos marejados, e enfim... felicidade?
Se é depois, por que pensar antes?
Por que pensar no perigo, quando o medo é do escuro?
Porque desde sempre o mundo prega que querer é poder e não acreditamos no nosso poder. E não sabemos o que fazer quando a resposta é diferente.
O contra ataque está sempre na manga. A defesa, no olhar. E parece que não sabemos jogar fora o que não nos serve mais.
Me diz, pra quê sofrer por antecipação?
Depois do sim ou depois do não.
Isso a gente pensa depois, então.
Você já tinha reunido todos os traumas, não é mesmo? Posicionado estrategicamente o lenço, preparado o drink. O que fazer agora? Poderia aproveitar todos os traumas bem ali e dizer adeus, balançando o lenço em sinal de paz e beber para comemorar.
Mas não...
Se jogar é melhor, certo? Dizer "o não eu já tenho" e fingir não esperar nada. Como desejar...
E depois?
Depois cabeça baixa, meia volta, passos lentos, passividade.
Depois fúria, depois agressividade.
Depois olhos marejados, e enfim... felicidade?
Se é depois, por que pensar antes?
Por que pensar no perigo, quando o medo é do escuro?
Porque desde sempre o mundo prega que querer é poder e não acreditamos no nosso poder. E não sabemos o que fazer quando a resposta é diferente.
O contra ataque está sempre na manga. A defesa, no olhar. E parece que não sabemos jogar fora o que não nos serve mais.
Me diz, pra quê sofrer por antecipação?
Depois do sim ou depois do não.
Isso a gente pensa depois, então.
domingo, 16 de setembro de 2012
A curto prazo
Se eu tivesse poucos dias, vou dizer o que eu faria. Eu correria para você. E isso não seria surpresa pra ninguém. As pessoas teriam imaginado que eu o fizesse algum dia, com ou sem notícias ruins. Pediria demissão. Não cumpriria aviso prévio. Não por não gostar de trabalhar, mas por não estar aqui para receber o retorno disso. Visitaria algumas pessoas, só pra rir um pouco com as histórias. Ensinaria algumas receitas para quem quisesse aprender. Faria um piquenique. Adormecendo debaixo da árvore, depois de assistir ao pôr do sol. E queria que me dessem sorvete na boca, parece romântico. Poderia deixar vários textos escondidos pra ser lembrada no futuro. Inclusive aqueles que te escrevi e que você não tem conhecimento. Talvez te entregasse esses antes disso. Você precisa saber dos meus devaneios e toda a veneração que cultivei. Porque, apesar disso eu deixei você ir... e quem vai agora sou eu. Não quero incomodar, só quero segurar sua mão e assistir você dormir. Escovar os dentes e te ver atrás de mim no espelho. Me desfazer em seus braços e deixar meu coração para você. É uma ideia do que eu faria, se eu tivesse poucos dias...
sábado, 8 de setembro de 2012
Duas garrafas de coragem
Não sei dosar sentimentos. Colocar num copo e beber... como se fosse a cura para a falta de esperança. Ou para a falta de você. Mesmo porque pode descer quente e deixar um doce traiçoeiro nos lábios. Eu sei doar sentimentos. Abrir a torneira e deixar escorrer. Até vazar ou sair pelo ralo. E engolir o excesso, o choro, a dor. Maldito vício! Esse de insistir. De pensar (e torcer) para que as situações aconteçam como imaginamos na nossa cabeça. Às vezes é tão bom ser pega de surpresa.
E de que adianta ser à prova de balas e acabar derrubado pela indiferença?
Do zero
Deve ser medo de começar do zero. De descartar a melhor ideia de amor que já tive. De te deixar ir.
É a sensação dos dias em que acordo querendo chamar alguém de amor e planejar uma sala de estar. Preparar uma receita e pegar no ar aquele beijo jogado com o canto da boca, o coração aos pulos, enquanto nossos sonhos flutuavam entre os aromas da cozinha. É sua mão na minha dentro do cinema, é o cheiro de café... ou do cappuccino do posto nas nossas madrugadas. Sou eu fazendo você dançar na pista de uma balada. É você me tirando o fôlego e me ensinando que dá pra dizer muito sem precisar falar nada. É o setor de filosofia, são os corredores da livraria. E a vontade de ser sua, antes mesmo de você me notar. Porque agora não adianta mais te amar. Nossos corpos imãs e nossos pensamentos estão soltos... longe um do outro.
Sou eu entendendo que não é mais você.
Devia ser medo de começar do zero.
É a sensação dos dias em que acordo querendo chamar alguém de amor e planejar uma sala de estar. Preparar uma receita e pegar no ar aquele beijo jogado com o canto da boca, o coração aos pulos, enquanto nossos sonhos flutuavam entre os aromas da cozinha. É sua mão na minha dentro do cinema, é o cheiro de café... ou do cappuccino do posto nas nossas madrugadas. Sou eu fazendo você dançar na pista de uma balada. É você me tirando o fôlego e me ensinando que dá pra dizer muito sem precisar falar nada. É o setor de filosofia, são os corredores da livraria. E a vontade de ser sua, antes mesmo de você me notar. Porque agora não adianta mais te amar. Nossos corpos imãs e nossos pensamentos estão soltos... longe um do outro.
Sou eu entendendo que não é mais você.
Devia ser medo de começar do zero.
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