segunda-feira, 9 de março de 2009

O dono da obra prima

E, voilá.
Impaciente. Aguardava os comentários, ansioso.
Bravo!
Não, bravo, não. Talvez um pouco nervoso.
Excelentíssimo!
Meritíssimo, ilustríssimo... oras, eu não me formei em Direito.
Fantástico!
Pelo que me consta, só aos domingos. E hoje é sexta-feira.
Incrível!
Isso não é desenho animado?
Perfeito!
Bom, ninguém é perfeito.
Uma obra prima! Quem é o dono dessa obra prima?
Eu, mas na verdade, foi ideia da minha mulher e não sou exatamente dono, o termo correto é responsável.
Certo, sr. Responsável, então o senhor é o tio?
Como assim?
Na ausência do dono, o senhor é o responsável.
Correto.
Então isso o torna, digamos, o tio. Responsável pela obra prima.
Não, o senhor não está entendendo.
Não, o senhor é quem não está entendendo.
Prima de quem?
Imagino que da filha da tia dela.
Impaciente. Ainda aguardando comentários, confuso. Calou-se. O diálogo continuou entre os presentes (sim, alguns ainda estavam embrulhados).
Ah, certo. Obra prima!
Eu já havia dito isso. Seja original.
Impaciente. Aguardando o último comentário, entediado. Não podia simplesmente deixar o recinto. Era o centro das atenções, de certa forma. Ele e sua obra prima. Agora, ela mais que ele.
O último crítico coçou a cabeça, levantou-se, abriu os braços, sorrindo.
Obra tia!
Frustrado. Não fez objeções e nem questão de agradecer os comentários.
Virou-se e saiu, calado.
Ao longe, ouvia-se os aplausos dos críticos... para sua obra prima.

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