segunda-feira, 4 de abril de 2011

Máquinas, pontes e roupa suja


A revolução industrial trouxe até mim a indagação “para que servem as pessoas, afinal?” Questão interessante que geralmente termina sem resposta satisfatória, mas hoje não. Hoje eu respondo com saudade e o algo mais que talvez nunca consiga explicar.
Cá estou eu novamente desfazendo cada ml do meu corpo em prol de... você. É sábado à noite e, ineditamente, eu tinha mais programas que uma máquina de lavar roupas (ou um canal da TV a cabo). Pois eis que “encho a máquina”, tomo um banho, entro no quarto e o cheiro do hidratante me faz voltar no tempo e meu corpo treme ao lembrar das suas mãos deixando esse mesmo perfume espalhado pelas minhas costas. Sento na sala com uma barra de chocolate super clichê, como se fosse te esperar chegar... eternamente. Escolho um filme. As pontes de Madison trazem o segundo “enxágue” do meu programa, com direito ao “amaciante” romance secreto de Clint Eastwood e Meryl Streep.  A plateia vai o delírio. Em um momento ele diz ter a impressão de que tudo que fez até o momento foi para chegar até ela. Isso me faz pensar como, então, minha vida continua sem você. E o que mais eu preciso descobrir para merecer tudo de volta. Ou poder estar pronta para “centrifugar” e começar tudo de novo... em outros trajes.
Só mais uma coisa. Os quatro dias juntos foram suficientes para que eles se amassem a vida toda. O que eu faço com os nossos seiscentos e noventa e oito, então?

terça-feira, 15 de março de 2011

Há quem fale do tempo que cura


De história, crendice, cultura
Daquele que a gente se engana enquanto vive
E o fingimento deixa a gente perdido
E quando vê, já está tudo esquecido.

Há ainda quem fale do tempo que passa
É o que veio um dia e, como tudo, foi indo
E a gente percebia sorrindo
O sol saindo e a chuva caindo
E passando ora depressa, ora devagar
E quando vê, já foi

E existo eu
Que me aventuro a contar dias
E enxugo os momentos que escorrem no meu rosto
De prazer ou desgosto

Mesmo porque quando eu morrer,
Por assim dizer
Não levarei nada que me cerca
Apenas o que abala e me diz
Que em algum tempo fui feliz

segunda-feira, 7 de março de 2011

Coisas que a gente patrocina II



“Você é o que você come”. E se comer bem, você patrocina a saúde.
“Rir é o melhor remédio”. Mesmo que seja sozinho. Você que ri, patrocina a alegria.
“Diga-me com quem andas...” e te direi quem patrocinas. O crime organizado ou a paz mundial.

Eu, por exemplo, quase não carrego bolsa. Eu patrocino o conforto em lugares com grande concentração de pessoas. Mas, em contrapartida, deixo também a suposta liberdade para os folgados que se sentem à vontade em continuar engordando e ocupando o lugar que a minha bolsa ocuparia.
Quem passa duas horas numa fila de banco e, só lembra de tirar a fatura e o dinheiro da bolsa ou da pasta quando chegam ao caixa, patrocina a impaciência e irritação.
Quem espera a data exata do aniversário para procurar um presente específico e difícil de encontrar, patrocina a burrice. Mesmo porque, aniversários acontecem todo ano na mesma data.
Quem permite os cinco minutinhos de sono da manhã, patrocina a boa preguiça.
Quem oferece ajuda e atenção a desconhecidos, patrocina o bem estar.

E você, o que patrocina?

Coisas que a gente patrocina I



E agora com vocês, uma palavrinha dos nossos patrocinadores...

Abrace quando ainda falta e chore quando não cabe mais.
Patrocine a liberdade de expressão.
Fale quando alguém precisa ouvir e ouça quando alguém precisar falar.
Patrocine a comunicação.
Conte os dias e patrocine a saudade.
Segure a mão pra não deixar cair e pule junto pra não deixar parar.
Patrocine a amizade.
Feche os olhos e patrocine os bons sonhos. Abra os olhos e patrocine a vida.
Grite bem alto, sonhe bem longe e acredite.
Patrocine o amor.

(Esse é o meu “filtro solar” para vocês)

terça-feira, 1 de março de 2011

Farmácia Popular –1mg



Caminhar todas as manhãs faz bem. São recomendações médicas.
E de médicos esse mundo está cheio.
“Ah, mas a neta da mulher que cortou o cabelo esses dias com a ex vizinha da minha nora corria todos os dias pela manhã e estouraram tantas varizes na perna dela que teve que amputar”.
Assuntos fantásticos esses de pontos de ônibus, tardes no calçadão e salas de espera de consultórios. Ou mesmo horários de pico em qualquer canto da cidade.
Se uma mulher ou um homem, que estão na fila especial de um banco, por acaso, tossem. É bem provável que alguém, da outra fila, cometa a indelicadeza de dizer: “tome mel que melhora”.
Claro que seus maravilhosos seis anos na faculdade de medicina fizeram com que a solução parecesse brilhante naquele momento. Apesar de que talvez nem saiba que um curso de medicina dure, no mínimo, seis anos.
Essa “farmácia popular” está mais para “farmácia de manipulação”, se é que vocês me entendem.
O-ME-PRA-ZOL! Esse sim, cura tudo compreendido entre o pescoço e as coxas. É tiro e queda.... pois bem, queda.. acredite e caia do cavalo.
E se o assunto for a dor, existe um milhão de opções que os nossos médicos de plantão oferecem. 
Isso quando não vem aqueles ambulantes de terra longínquas e armam uma banquinha rodeada por curiosos cheios de história para contar. Esses sim curam tudo. “Pra coração partido, tem?” “Tem não, aí é só o tempo...” “Assim num ajuda, né moço”.
E pensar que antigamente tinha chá para todos os males, e a gente acreditava, e curava... Até coração partido...

Porque de médico e louco todo mundo tem um pouco, não é mesmo?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Assunto é coisa que não acaba

"Tanta gente morrendo de sede e tanta gente morrendo afogada".
(in Conversas que a gente ouve por acaso na rua).
A verdade é que, estranhamente, não ignorar bêbados e andarilhos, aumenta nossa bagagem. No geral, ouvir pessoas que, aparentemente, não agregam nada por falta de estudo é falta de cultura. Mas isso não quer dizer, falta de experiência.
São os mínimos detalhes... e a gente gosta de coisa pequena, não é mesmo? Celulares, computadores, livros de bolso, chaveiros imitando tudo o que já existe só que em tamanho bem menor.
Há quem diga que o maior é melhor... eu não discordo. Vejamos... grande abraço, grande amigo, imensa saudade...
"E por falar em saudade..."
Como, ao mesmo tempo que, faz bem sentir, dói demais? E o oposto da saudade? A gente nunca percebe quando sente e nem dói, é sem graça. E não é tão bom sentir coisas sem graça...
Sendo assim, é bom sentir coisas com graça, engraçadas, que fazem rir... como cócegas, ou stand up homenageando seu ego, irônicamente.
O menage? Ouvi dizer que é à três. Mas na minha área o A4 é mais comum, e vulgarmente conhecido como sulfite... e por aí vai. Assunto não acaba mesmo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

“Tarapia” (é tarapia mesmo)



Quer maior masturbação do que: Conhece-te a ti mesmo?
A gente passa pela vida e a vida passa pela gente e não sabemos quem somos.

“Sabe, é uma vergonha só de falar que a gente fica assim, perdida, por causa de outra pessoa. É lógico que se não tivesse acontecido, tudo estaria melhor... ou não.”

O “ou não” pode ser o empurrãozinho que faltava. O “ou não” nos faz crescer e descobrir que, apesar de tudo, nós somos pessoas com potencial e não podemos parar nosso movimento de rotação. Parece egoísta. E, se quer saber, às vezes precisamos ser egoístas um pouco e não substituir o Sol no universo por alguém que nos faz feliz por um tempo indeterminado.

Tudo é ritmo. Movimento.
As coisas que estão paradas, geralmente são inanimadas e foram construídas para isso. Tudo que passa, ou vem ou vai. Porque o que fica parado estraga, como uma fruta em cima da mesa, assistindo às mudanças climáticas. Porque até o clima muda.

A maior comunicação de massa é a música. Dentro das boates, das igrejas, das escolas... Quando algo é grandioso, merece um hino. Façamos um hino a nós mesmos, então. Porque nós somos importantes. E se alguém discordar, é porque só não dança a mesma música que você.

Você não precisa estar nas paradas de sucesso, mas com certeza vai se surpreender com sua própria melodia.